Quando encaro a ferida da desigualdade: o teto que é a rua, as mãos no lixo, a falta d’água, de esgoto e de luz, a alma pesa em indignação e luto.
Mas há orgulho quando a palavra da autoridade deixa de ser discurso e vira ação justa.
Por isso me revolta o falso amor à pátria dos que ignoram as conquistas sociais.
Não há patriotismo sem a defesa do povo. Temos motivos de sobra para lutar. Há um chão imenso a ser reconstruído: na saúde que acolhe, na escola que liberta, na segurança que protege, na infraestrutura que une.
Precisamos vencer o abismo das classes, gerar negócios com ética e prosperidade, e blindar a dignidade dos que sofrem preconceito.
Ainda assim, há tanto a celebrar.
Somos a casa de biomas únicos e grandiosos. Nossa culinária é afeto que alimenta o corpo; nossa cultura, o sangue vibrante da diversidade.
Um povo hospitaleiro, vocacionado ao diálogo e à paz, que trabalha firme e alimenta o mundo.
Trazemos na pele a resiliência e o riso largo. Nossa dimensão é continental; nossa alma, plural. Aqui o esporte pulsa e a espontaneidade ferve. Que o sonho nunca deixe de ser movimento por um país vibrante e justo para todos.
Que a decisão de hoje seja a lucidez: buscar a verdade sem máscaras ou robôs, sem o teatro das hipocrisias.
Viva o Brasil de todos os brasileiros.
Professor, escritor e fotógrafo
ALDO LUNA
Setembro de 2026









